Somos criamos com determinados ideais estereotipados que nos transmitem segurança ao longo da vida. Se estudares, tens futuro garantido; se fores uma pessoa com bons valores, vais ter outras pessoas que gostam de ti; se tiveres um emprego, terás uma vida estável. Porém hoje, tudo isso está a dar uma grande volta. Esta coisa da crise afecta-nos a todos, essa palavra que já se tornou parte do vocabulário quotidiano dos portugueses e à qual, quer queiramos quer não, temos que nos adaptar. Se estudares, não tens futuro garantido, vais ter que lutar por ele como se fosses um lutador no ring de boxe que pretende conservar os seus dentes; se fores uma pessoa com bons valores, vais acabar por sofrer o mesmo que os escumalhas sofrem, porque somos todos farinha do mesmo saco; se tiveres emprego, já estás com uma sorte do caraças e nem sequer te atreves a pedir por estabilidade, porque um emprego instável já é melhor que nenhum.
Sou sincera, está-me a custar muito a adaptação a tudo isto...à crise e a tudo o que ela arrasta consigo, ao futuro completamente nebulado, às notícias repetitivas na televisão, ao dinheiro que cada vez mais parece não chegar. É desmotivador, realmente...põe as pessoas inconscientemente tristes no seu dia-a-dia, e começa a faltar a criatividade para dar a volta. Dar a volta...é uma expressão engraçada quando estamos dependentes de outros para fazer isso, nomeadamente de quem nos governa. Eu pertenço à geração jovem que todos os dias faz planos (ou tenta fazer) para o "futuro" da maneira mais cautelosa possível, não só em termos profissionais mas também em termos pessoais, mas como quanto mais alto sobes mais alta é a queda, só dá vontade de substituir essa prática por um "viver um dia de cada vez".
1 comentário:
Tens toda a razão, mesmo!
Força!
Enviar um comentário