Em questões de injustiças, má organização prejudicial e falta de responsabilidade e respeito, eu sou aquela pessoa que se chega à frente na luta. Há universidades, cursos, turmas, pessoas, com as suas diferenças, cada ser com a sua personalidade e caminhos traçados, talvez com um objectivo mais ou menos comum mas com maneiras diferentes de o atingir. Até aí tudo bem. Mas o que realmente temos em comum é uma história, digo história do país, de Portugal, da liberdade de expressão e de direitos, das lutas e lutas infindáveis que se travaram para que hoje se pudesse ter acesso e direito a um ensino justo, aberto a todos mas condicionado por regras e regulamentos como qualquer outra área. Sempre me foi passada a mensagem de que os estudantes do ensino superior, ao longo dos anos lutaram recorrendo ao protesto por melhor condições para a sua formação, a nível mundial. Os tempos foram evoluindo, modernizando-se, e penso que terá sido na sequência de uma evolução do pensamento e das sociedades que surgiu o processo de Bolonha, todo ele cheio de boas intenções. O dito processo, muito no geral, coloca a responsabilidade da sua própria formação no estudante. Trocado por miúdos, a coisa não seria complicada se os professores disponibilizassem de forma clara e concisa no início do semestre o programa e bibliografia da disciplina, se leccionassem as aulas devidamente, se as avaliações fizessem juz àquilo que foi leccionado, se os estudantes estudassem afincadamente, fossem avaliados e aprovassem com sucesso à cadeira. É um processo que parece simples. Porém a "maratona" parte dos professores...sem eles não há orientação. Quando não há coordenação, organização, bom senso, disponibilidade por parte dos professores, quando os alunos são rotulados como "burros" logo no inicio das aulas fica claro que teremos que colocar o "desenrrasque" à prova, a probabilidade de ter sucesso reduz-se significativamente. Nós não pedimos a papinha toda feita, que isto fique claro. Nós pedimos que os professores, os responsáveis pelas UC's façam o seu trabalho, aquilo para o qual recebem um ordenado churudo, em parte pago pelos estudantes. Até aqui foi uma contextualização do que se passa.
O que me preocupa de facto é a falta de vontade de alguns estudantes em lutar pelos seus direitos, por uma avaliação justa e correcta. Quando se tenta unir uma turma para combater irregularidades claras pelos meios correctos, sem que hajam repercussões, um grupo de 5 ou 6 decidem que não partilham da mesma opinião (sem discussão, claro, isso respeita-se sempre), mas ainda apelidam os que tentam mudar o panorama de "imaturos", "senhores do seu umbigo", inclusivé "precisamos viver mais uns aninhos". Quando, na minha sincera opinião, nunca fizemos nada tão correcto, da melhor forma possível como o que se está a passar. Se há motivos de queixa, faz-se a queixa. Se uma pessoa está em casa e tem problemas na Zon, telefona para o apoio do cliente a pedir esclarecimento (porque paga o serviço). Se uma pessoa está a comer num restaurante e o bife vem cru, manda vir outro (porque paga a refeição). Se uma pessoa acha que não está a ser avaliada da melhor forma e os avaliadores se mostram indisponíveis, vai falar com quem de direito deve (porque está a pagar um curso)...é uma lógica simples de seguir não é? Mas pelos vistos há quem fique sem net e televisão 1 mês inteiro, há quem coma bifes crus e há quem cale e consinta. E há cena no mundo que me faça mais impressão do que isso? Não. Por isso pessoas comodistas, com opiniões de merda que não levam o país para a frente, que gostam de engraxar em vez de fazer aquilo que lhes é devido, que por serem mais velhos do que a malta que entrou com a idade certa para a universidade nos acham "imaturos", espero bem que chumbem a todas as cadeiras que têm irregularidades graves, e que quando finalmente se decidirem queixar, estejam sozinhos, bem sozinhos, e seja a vossa palavra contra a do professor em questão. Se acham que lá por estarmos numa universidade temos que fazer 100% do curso sozinhos, enganam-se redondamente, porque os 1037€ que pago anualmente pela minha formação têm que ter alguns frutos, os mínimos que sejam, e exijo respeito, responsabilidade e justiça da parte de quem me está a formar. Se fosse para tirar um curso de forma completamente autónoma, estudava pela Wikipédia no conforto de minha casa, de borla, e arranjava um diploma no mercado negro.
1 comentário:
Sempre foram uns doutorzinhos muito maus esses de Évora, mas acredita sinceramente que alguns deles já foram muito piores.
Boas férias.
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