domingo, janeiro 26, 2014

conclusões

A maior desilusão de todas é quando fazemos de nós algo que não somos e ao fim de algum tempo descobrimos o big mistake. Ao longo da vida vamo-nos cruzando com alguns role models, pessoas que seguimos como exemplo:"quando for grande quero ser forte como tu, determinada, ambiciosa, nunca vou sofrer por amor, vou levantar a cabeça e pensar mais em mim e menos nos outros, como tu fazes"; "quando for grande quero ser boa pessoa, compreensiva como tu, quero saber lidar com os problemas como tu lidas"; "quando for grande, quero ser considerada uma grande mulher, quero ser multifacetada"...A família espera de nós, os amigos depositam grandes esperanças na "líder" que sempre viram, na pessoa determinada e sem medo de correr riscos. Vai tudo correr bem, porque tu mereces.
Crescemos, e a vida mete-nos à prova, dá-nos situações para que nos possamos conhecer melhor, provar aí se somos fortes, ambiciosas, poderosas, multifacetadas, grandes mulheres. Mas...e se afinal não somos? E se surgem taquicardias por problemas mínimos, e se só estamos bem dentro dos lençóis polares a chorar baba e ranho até que aquele minuto passe, e aquela hora, e outra, e aquele dia? E se alguém pergunta Como estás? e nós sorrimos e dizemos "estou bem" quando as lágrimas caiem por dentro? E se, após tanto tempo, ainda não sabemos como controlar os nossos defeitos básicos como a falta de paciência, a falta de compreensão pelos outros, a falta de amor por nós próprios? E se o "pensar positivo" não se mostra suficiente?
Aos 22 anos, a noção que tenho é que ao mesmo tempo que cresci na maturidade, me desiludo quase diariamente com aquilo em que me tornei. Um ser nervoso, impaciente, cheio de medos e angústias dos quais até custa falar. Regredi na maneira de comunicar, na preservação das amizades. Afinei a arte de ser rude nos discursos, de não medir palavras. A memória de merda também me deixa muitas vezes na mão. Não te lembras de teres dito isto? Lembras-te daquilo? Não...desculpa mas não me lembro mesmo. Há uns anos, não havia melhor pessoa do que eu para "separar as coisas". Deviam ser as hormonas da adolescência, faziam-me ser perita na arte da mentira e do disfarce, e sempre com um sorriso na cara, lá continuava o dia. Hoje, a cada situação dessas, o meu mundo cai, não como, não durmo, não sou feliz. Pequenas coisas do dia a dia perturbam a minha existência...ainda ontem fui tomar um café com umas amigas, uma delas vai agora para o UK trabalhar; éramos 5 à mesa, 4 delas a falarem sobre o facto de que nem sequer vão mandar currículos aqui em Portugal, que emigrar está no topo das prioridades...e eu não sabia se havia de chorar, ou fingir que tinha que ir à casa de banho, ou bloquear os ouvidos e cantar a música que estava a dar. A última opção pareceu-me a mais apropriada, enquanto acenava com a cabeça à conversa que se ia desenvolvendo. É um assunto que não me conforma, e que me faz ficar extremamente sensível, mas isto dava aqui panos para mangas.
Pensar positivo, pensar no futuro, tudo vai correr bem...Alguém me diga onde é que se compra disto, pois 2014 para mim vai ser um desafio daqueles a sério, para os quais não se se estou preparada, muito menos sei se sou forte o suficiente para isso, porque até agora só tenho dado provas do contrário. É preciso estarmos bem connosco para depois estarmos bem com os outros...a primeira parte está a ser intensamente difícil de alcançar, e há coisa de há uns bons meses para cá que tem sido uma luta diária. Um dia de cada vez. Sorrir, dizer "sim, está tudo bem", e continuar...até isto ser verdade.

1 comentário:

Um Sonhador disse...

Só saberas se és forte o suficiente quando estiveres perante a situação. E se caires, nao faz mal. ''Quem está de pé nao é capaz de se levantar''. E se nao é capaz de se levantar, entao também nao é capaz de aprender.
Se nao estiveres bem, di-lo! ''Nao estou bem, caralho! E nao quero falar sobre isso!'' Grita mulher, grita! Não guardes tudo aí dentro.