Karaté-Do.Quando entrei para o karaté tinha 10 anos. Entrei porque os meus vizinhos faziam karaté e uma vez fui lá assistir e decidi experimentar. Não havia muita malta da minha idade, eu era sem dúvida a mais nova do grupo, que ainda nem o cinturão colocava como deve ser, e que na altura dos katas entrava em pânico por não saber o que fazer. Ao longo do tempo fui ficando. Entre treinos bons e treinos maus, houve um crescimento, uma evolução minha tanto na técnica como no espírito e mesmo na minha pessoa. Estou lá há 7 anos. Já vi tanta gente passar por lá e ficar pelo caminho, assisti a dificuldades que acabaram por resultar em desistências, ouvi muitas vezes dizerem "quero chegar a cinto negro" e depois desistirem no cinto verde. A mim o que me moveu a inicio foi o facto de querer ser como as outras mulheres que via nos estágios, com atitude, sem medos, prontas para qualquer batalha que fosse. Queria ganhar velocidade e um dia treinar com os grandes e aprender as katas dos grandes. Como já disse, fui ficando. Muitas vezes pensei em desistir, porque muitas vezes tive momentos desmotivantes em que era a única figura feminina no meio de tantos homens e por vezes pensava que ninguém me compreendia. Quando tinha um dia mau, isso reflectia-se no treino. Várias vezes o karaté foi uma obrigação.
Hoje posso dizer que é diferente. O karaté tornou-se mais do que um desporto. O karaté tornou-se a minha filosofia de vida, pela qual eu rejo as minhas atitudes. Compreendi o significado do respeito, da disciplina, e das 5 máximas do karaté: Carácter, Sinceridade, Esforço, Etiqueta, Auto-Controlo. São 5 palavras muito importantes na vida de um karateca dedicado, e são por elas que surgem as nossas atitudes, comportamentos e espirito. O karaté tornou-se um estado de alma e um modo de vida. Continuo a ver muitas pessoas a ficarem pelo caminho, mas hoje dedico-me a ensinar o que já sei que posso ensinar, a puxar pelos mais novos, a incutir-lhes respeito e a fazê-los ver que sem esforço o nosso treino não valerá de nada. Hoje o que me move é a capacidade de conseguir ser melhor, quero aperfeiçoar ao máximo a minha técnica, velocidade, espirito de combate, resistência, quero melhor aquilo que tem de ser melhorado, quero ser eficaz e aprender, aprender, aprender. O objectivo não é chegar a 1º Dan (cinto negro) porque não há meta no karaté. O treino do karaté é algo para a vida, e, palavras do Sensei Peté, é como uma panela com água quente que quando não é aqueçida regularmente acaba por arrefecer. Hoje interesso-me pela história, pelo japonês, pela cultura. Hoje posso dizer que treino por gosto, porque me sinto realizada. Hoje, ir para o treino é um prazer e por vezes é a melhor coisa que acontece no dia. E pode-se dizer também que consegui treinar com "os grandes" que quando era pequenina queria alcançar. Hoje sou eu quem dá o aquecimento e quem dá as vozes da saudação, logo ao lado "dos grandes". Sou eu quem motiva novas raparigas a entrar para o karaté. Como já disse, isto não é a meta. Neste caso, o céu é o limite, e mesmo assim não sei. Formamos ali uma família, bons amigos, companheiros, pessoas genuínas, karatecas para a vida. E hoje com toda a firmeza posso afirmar que já não imagino a minha vida sem o karaté.
1 comentário:
epá
isso é k é karatekice ãhn...
:)
é bom ver as pessoas assim de alma cheia por causa das coisas k fazem.
ñ comentei o post anterior, pk lembrei me do cao k foi atropelado na escola...ainda por cima foi no mesmo dia do post.
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