sábado, novembro 15, 2014

coisas da vida


Abri o youtube e coloquei o “Trouble” dos Coldplay. Abri o word e comecei a escrever. Já não o faço há imenso tempo. Provavelmente ao mesmo tempo em que comecei a namorar com o André. Quando conhecemos aquela pessoa e nos deixamos envolver de tal forma na relação, uma coisa inevitável que acontece é perdermos certos hábitos que se tinham. Hábitos esses que faziam parte do recato de não viver num mundo partilhado intimamente com alguém. Tenho 23 anos feitos recentemente. Há 5 ou 6 anos atrás, lembro-me de ser uma pessoa completamente diferente. Completamente. Lembro-me da ingenuidade, das borboletas na barriga por tudo e por nada, no acreditar facilmente nas palavras de alguém. Ao longo do tempo, sempre retirei algo de positivo dos meus erros. Por mais pequenos que fossem, tiveram sempre lições incrustadas das quais não me vou esquecer. Mas quando conheci o André…aquela pessoa que pensamos ser a especial, a nossa pessoa…não pensei que viesse a cair em erros como aconteceu. No início o desafio era descobrirmos o que era aquilo que nos unia, juntos. Ambos tínhamos dúvidas e hesitações, mas arriscámos e fomos em frente na perspectiva de momentos feliz. Momentos esses que foram incontavelmente felizes. Porém também houve um lado mau…o crescimento das pessoas não acontece necessariamente na chamada adolescência. Acontece sim com as experiências de vida que se vão tendo, com os “choques”, os desgostos, os momentos confusos e questionáveis. E quando duas pessoas crescem juntas, podem crescer de maneiras diferentes. Namorar entre os 19 e os 23 anos tem as suas vantagens, mas é uma fase complicada, muitas decisões, muitas mudanças…um enfrentar da realidade de uma forma bruta, para a qual sinceramente eu não estava preparada de todo. Acabei por me esquecer de mim…envolvi-me de tal maneira na vida do André que até ele deixou de ser apenas ele, para ser o meu alguém, para me agradar sem se agradar a ele próprio. Em prol da relação. Aos poucos, uma rotina não monótona mas entranhada levou-nos a momentos não naturais, e esquecemo-nos de estar apaixonados. Por muito esforço, por muitos sacrifícios, perdeu-se o essencial. Aquele essencial que o principezinho diz ser invisível aos olhos. Perdeu-se a vontade natural, o querer estar porque sim, sem razão, a paixão, o sentimento de formigueiro ao toque, o querer beijar, o querer amar, o querer estar e ficar. E como se recupera isso? Por muitas palavras que se possam usar, por muitos argumentos e desculpas que se possam arranjar, voltar ao básico é algo sábio e que poucos conseguem alcançar realmente. Voltar ao básico implica crescer. Implica um amadurecimento que não pode ser apenas pedido, mas sim sentido. Quando temos 19, é giro pensar que estamos numa “relação séria”. Nunca nos passa pela cabeça as voltas que a vida pode dar e o que se pode tirar daí. Certezas, é impossível tê-las. A minha única certeza é de que quero crescer e ser melhor todos os dias. E os bons não são fracos. E eu posso ter muitos momentos de fraqueza mas não sou fraca. Sou apenas imperfeita e todos os dias faço o meu próprio caminho, como os outros. Não julgo. A evolução faz parte, leve mais ou menos tempo. Não vou usar frases cliché para um namoro que acabou. Quem dera a muitos terem vivido aquilo que vivi, sentido aquilo que senti. E agora é tempo de pegar na mochila e ir para outras bandas.

1 comentário:

Um Sonhador disse...

Gostei da tua forma, muito madura, de encarar a situação. Agora cuida de ti e o resto vem depois ;)

Beijinhos