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coisas da vida
Abri o youtube e coloquei o “Trouble”
dos Coldplay. Abri o word e comecei a escrever. Já não o faço há imenso tempo.
Provavelmente ao mesmo tempo em que comecei a namorar com o André. Quando
conhecemos aquela pessoa e nos deixamos envolver de tal forma na relação, uma
coisa inevitável que acontece é perdermos certos hábitos que se tinham. Hábitos
esses que faziam parte do recato de não viver num mundo partilhado intimamente
com alguém. Tenho 23 anos feitos recentemente. Há 5 ou 6 anos atrás, lembro-me
de ser uma pessoa completamente diferente. Completamente. Lembro-me da
ingenuidade, das borboletas na barriga por tudo e por nada, no acreditar
facilmente nas palavras de alguém. Ao longo do tempo, sempre retirei algo de
positivo dos meus erros. Por mais pequenos que fossem, tiveram sempre lições incrustadas
das quais não me vou esquecer. Mas quando conheci o André…aquela pessoa que
pensamos ser a especial, a nossa pessoa…não pensei que viesse a cair em erros
como aconteceu. No início o desafio era descobrirmos o que era aquilo que nos
unia, juntos. Ambos tínhamos dúvidas e hesitações, mas arriscámos e fomos em
frente na perspectiva de momentos feliz. Momentos esses que foram
incontavelmente felizes. Porém também houve um lado mau…o crescimento das
pessoas não acontece necessariamente na chamada adolescência. Acontece sim com
as experiências de vida que se vão tendo, com os “choques”, os desgostos, os
momentos confusos e questionáveis. E quando duas pessoas crescem juntas, podem
crescer de maneiras diferentes. Namorar entre os 19 e os 23 anos tem as suas
vantagens, mas é uma fase complicada, muitas decisões, muitas mudanças…um
enfrentar da realidade de uma forma bruta, para a qual sinceramente eu não
estava preparada de todo. Acabei por me esquecer de mim…envolvi-me de tal
maneira na vida do André que até ele deixou de ser apenas ele, para ser o meu
alguém, para me agradar sem se agradar a ele próprio. Em prol da relação. Aos
poucos, uma rotina não monótona mas entranhada levou-nos a momentos não
naturais, e esquecemo-nos de estar apaixonados. Por muito esforço, por muitos
sacrifícios, perdeu-se o essencial. Aquele essencial que o principezinho diz
ser invisível aos olhos. Perdeu-se a vontade natural, o querer estar porque
sim, sem razão, a paixão, o sentimento de formigueiro ao toque, o querer
beijar, o querer amar, o querer estar e ficar. E como se recupera isso? Por
muitas palavras que se possam usar, por muitos argumentos e desculpas que se
possam arranjar, voltar ao básico é algo sábio e que poucos conseguem alcançar
realmente. Voltar ao básico implica crescer. Implica um amadurecimento que não
pode ser apenas pedido, mas sim sentido. Quando temos 19, é giro pensar que
estamos numa “relação séria”. Nunca nos passa pela cabeça as voltas que a vida
pode dar e o que se pode tirar daí. Certezas, é impossível tê-las. A minha
única certeza é de que quero crescer e ser melhor todos os dias. E os bons não
são fracos. E eu posso ter muitos momentos de fraqueza mas não sou fraca. Sou
apenas imperfeita e todos os dias faço o meu próprio caminho, como os outros.
Não julgo. A evolução faz parte, leve mais ou menos tempo. Não vou usar frases
cliché para um namoro que acabou. Quem dera a muitos terem vivido aquilo que
vivi, sentido aquilo que senti. E agora é tempo de pegar na mochila e ir para
outras bandas.
1 comentário:
Gostei da tua forma, muito madura, de encarar a situação. Agora cuida de ti e o resto vem depois ;)
Beijinhos
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